Transformando o mercado com Inovação Aberta e Cocriação.

//Transformando o mercado com Inovação Aberta e Cocriação.

Transformando o mercado com Inovação Aberta e Cocriação.

Conhecer o consumidor com pesquisas de mercado é uma prática tradicional para que empresas guiem o lançamento de novos produtos e serviços.

Porém, duas práticas têm mostrado que aproximar o consumidor do processo de inovação é ainda mais eficiente com a inovação aberta e a cocriação.

Inovação aberta é uma abordagem do processo de inovação. Nela, a empresa inova com a participação de agentes externos (consumidores, fornecedores e até mesmo concorrentes). O mais interessante é que, na inovação aberta, tanto o processo como os resultados da inovação são públicos, sendo o extremo oposto de abordagens de inovação que estamos acostumados (com o processo e resultado fechados na empresa).

Cocriação é uma prática de inovação aberta, ou seja, uma técnica utilizada na abordagem. Ela conta com a participação efetiva de agentes externos no processo de inovação, principalmente no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Há quatro pilares básicos para empresas que possuem interesse em cocriar com seus consumidores, fornecedores ou concorrentes: 1) diálogo claro para que todos os objetivos sejam atendidos; 2) acesso mútuo a informações e recursos; 3) compreensão dos benefícios e riscos do processo; e 4) transparência de informações.

As vantagens de utilizar a inovação aberta e a cocriação são várias. Vamos imaginar na cocriação com fornecedores: compartilhando o processo de inovação, é possível alcançar soluções com menor custo e maior eficiência para o mercado. Na cocriação com consumidores: a opinião e o feedback efetivos sobre um novo produto ou serviço fazem com que o produto reaja de maneira dinâmica às nuances dos consumidores.

O processo de participação efetiva dos consumidores soa distante da realidade? Vamos observar dois casos que, por conta da tecnologia, facilitaram a cocriação:

Alguns anos atrás, a Fiat lançou uma plataforma colaborativa para criar um carro- -conceito. Batizado de Fiat Mio, o projeto foi criado a partir de sugestões e ideias de consumidores em uma plataforma que alcançou mais de 15 mil interessados. Nela, consumidores publicaram o que esperavam de um carro da Fiat a partir da sua imaginação. Então, uma equipe de técnicos da Fiat analisou a viabilidade das ideias e adicionou as mais interessantes ao projeto. O carro foi apresentado no Salão Internacional do Automóvel no ano de 2010.

A LEGO, querida de crianças, jovens e adultos há décadas, também lançou uma plataforma colaborativa para criação de novos produtos: a LEGO Ideas. Nela, consumidores são convidados a publicar seus projetos de kits a serem produzidos pela empresa e a votar nas criações de outros consumidores. Então, após os votos e o feedback da comunidade, o projeto que alcançar 10 mil votos é revisado por técnicos da LEGO, aprovado pelo criador e vendido oficialmente no mundo todo. O consumidor, por sua vez, recebe um percentual das vendas e é reconhecido oficialmente como criador do kit.

Estes são apenas dois exemplos de grandes empresas que trabalham com inovação e encontraram uma maneira de fazer com que seus consumidores participem da criação de novos produtos. Ao nosso redor, as plataformas de colaboração também fazem esse papel, desde a concepção da ideia até o financiamento, a exemplo do Kickstarter e do Catarse.

Enquanto pesquisas de mercado buscam compreender os hábitos e preferências dos consumidores, a inovação aberta e a cocriação inserem esses consumidores no processo de inovação. Isso permite que a empresa desenvolva um produto ou serviço que tenha alta aderência no mercado e, consequentemente, maior retorno nas vendas.

Caio Bianchi é professor na Pós-Graduação da ESPM, doutorando em inovação internacional (PMDGI/ESPM) e pesquisador especialista sobre gestão da criatividade, inovação, empreendedorismo e negócios internacionais.

 

Fonte: ESPM.

Por |2018-08-24T15:32:06+00:00agosto 24th, 2018|Notícias|
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